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Setembro
Este
mês tem uma grande importância para o Rio Grande do Sul: 20 de setembro
é a data máxima do nosso povo, quando é reverenciada a Revolução
Farroupilha. É o marco da história e da formação política da sociedade
rio-grandense e foi transformada em feriado, por decisão da Assembléia
Legislativa, a partir de Lei aprovada no Congresso Nacional, em
1996. Esta semana a Chama Crioula foi acesa em vários pontos do
Estado, dando continuidade às comemorações da
Semana Farroupilha que iniciaram na
quinta-feira, dia 13, e se estenderão até o dia 20.
História
O
Movimento Tradicionalista do Rio Grande do Sul surgiu no ano de
1947, a partir da criação do Departamento Tradicionalista, organizado
por estudantes da famosa Escola Pública Estadual Júlio de Castilhos,
em Porto Alegre, liderado por João Carlos Paixão Cortes. Na capital
gaúcha, neste período, se ergue, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho,
entre prédios residenciais e públicos, uma espécie de vila, com
cerca de 400 barracas e galpões de madeira, denominada "Ronda
Crioula".
O
nome Ronda Crioula foi buscado na campanha, onde, quando se cuida
do gado nas tropeadas, os gaúchos ficam sempre em redor deles, cantarolando,
assobiando, tocando violão, que assim faziam para acalmar os bois.
Um fogo, aceso a certa distância do gado, fica, igualmente rodeados
de gaúchos que esperam para fazer a sua ronda,
ou seja, vão substituir os companheiros que estão observando o gado.
Completando
54 anos, desde 1947 a Ronda Crioula reúne integrantes de CTGs -
Centros de Tradições Gaúchas, piquetes e milhares de pessoas, que
visitam o local, e celebram a data, ao redor do fogo de chão, com
churrasco e chimarrão, poesia, música e dança, relembrando a história
e contando causos.
Como
ponto máximo, encerrando as comemorações, os desfiles a cavalo ou
em charretes reúnem, em todo o Estado, milhares de gaúchos, trajando
as vestimentas típicas - os homens: bombachas, botas, lenços e chapéus
de aba larga; as mulheres: vestidos de prenda, rodados e coloridos,
e com belas flores nos cabelos.
Em
clima de união, de clamor cívico e consciência viva, os gaúchos
dão uma profunda demonstração de igualdade, integração do campo
e da cidade e de respeito a sua história, reverenciando seus antecedentes,
unindo gerações e etnias.
Revolução
Farroupilha
A
Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro de 1835, e que
durou cerca de 10 anos, envolveu sucessivos combates. Segundo os
historiadores, cerca de 20 mil homens e mulheres em luta, resultando
na morte heróica de aproximadamente 3.500 pessoas, em sua maioria
revolucionários.
Unindo
e mobilizando os farrapos, sob a liderança de homens e mulheres
do porte de Bento Goançalves, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro,
Antônio da Silva Neto, Domingos Crescêncio e Anita Garibaldi, estava
o sentimento de rebeldia contra a centralização do Poder Federal,
que se manifestava, de forma especial, na espoliação econômica da
região. Entre as principais causas do levante, estavam a penalização
dos produtos agropecuários, especialmente o charque, com altos impostos
e, também, a expropriação e desvio dos recursos acumulados no Estado,
até mesmo para pagar dívidas federais junto à Inglaterra.
Mas,
além disso, a Revolução Farroupilha transformou-se em um momento
de construção e afirmação dos princípios sociais, políticos, econômicos,
culturais, e, talvez, principalmente ideológicos, que orientam a
sociedade gaúcha até hoje. Apesar da guerra, do ataque constante
do poder imperial, os rebeldes farrapos mantiveram a atividade econômica,
desenvolveram as estruturas de poder, tanto civil quanto militar,
e introduziram revolucionárias práticas democráticas.
Em
1837 e 1838, libertaram os escravos, que haviam participado da revolução;
reduziram os impostos sobre exportação e restabeleceram o imposto
sobre importação de gado; criaram uma fábrica de arreios e outra
de curtir couros e promoveram o recenseamento da população. Ainda,
dentre as medidas mais importantes, institui-se a Assembléia Constituinte
e o sistema eleitoral baseado no sufrágio universal, com voto obrigatório
e apuração perante o povo reunido.
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